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O que Jesus falaria a respeito do terremoto do Haiti?
Logo após a tragédia ocorrida no Haiti, eu comecei a fazer uma pergunta: o que a Igreja tem a dizer sobre essa calamidade? Afinal, no meio de tão grande destruição, espera-se que a Palavra de Deus possa ser encontrada junto ao Seu povo. Contudo, naqueles dias encontrei todo o tipo de opinião. Algumas variavam de um extremo ao outro: de um lado estavam os que criam que o Haiti merecia aquele sofrimento, e que seria um castigo de Deus pela prática do vodu. De outro lado, haviam aqueles que tomados do mais puro humanismo, falavam da tragédia como se ela tivesse fugido do controle de Deus. Levou alguns dias para que eu encontrasse os primeiros textos que deixavam de lado as opiniões das pessoas para tentar expressar o que o próprio Jesus falaria a respeito do terremoto. Aliás, creio que, diante de qualquer situação, nossa atitude deve sempre ser a de ir até Jesus e saber o que Ele teria a dizer. Graças a Deus que não estamos no escuro nessa busca, pois podemos ir até o evangelho de Lucas e ver aquilo que Jesus declarou acerca de duas tragédias ocorridas naqueles dias:
“Naquela mesma ocasião, chegando alguns, falavam a Jesus a respeito dos galileus cujo sangue Pilatos misturara com os sacrifícios que os mesmos realizavam”.
Ele, porém, lhes disse: Pensais que esses galileus eram mais pecadores do que todos os outros galileus, por terem padecido estas coisas? Não eram, eu vo-lo afirmo; se, porém, não vos arrependerdes, todos igualmente perecereis.
Ou cuidais que aqueles dezoito sobre os quais desabou a torre de Siloé e os matou eram mais culpados que todos os outros habitantes de Jerusalém? Não eram, eu vo-lo afirmo; mas, se não vos arrependerdes, todos igualmente perecereis “(Lucas 13:1-5):
À luz da declaração acima, quero destacar cinco pontos acerca dos quais deveríamos meditar:
1- Deus é soberano.
Não há nada que ocorra sem a devida permissão de Deus. Afinal, como o próprio Senhor disse, “Não se vendem dois passarinhos por um ceitil? E nenhum deles cairá em terra sem a vontade de vosso Pai. E até mesmo os cabelos da vossa cabeça estão todos contados” (Mt. 10:29,30). Já o profeta Amós nos pergunta: Sucederá algum mal na cidade, sem que o SENHOR o tenha feito? (Am. 3:6). Por mais que seja trágico e calamitoso, o ocorrido no Haiti não estava fora do controle de Deus. E diante disso, só podemos nos humilhar e reconhecer que os caminhos de Deus são insondáveis.
2- O sofrimento não está necessariamente associado a um pecado específico.
Desde os dias de Jó já havia uma teologia que atribuía a causa do sofrimento a um pecado específico. A história de Jó é uma demonstração de que isso não é verdade. Contudo, séculos depois, essa teologia ainda tinha muitos adeptos. Talvez tenha sido por isso que os discípulos perguntaram a Jesus acerca de um cego de nascença: “Rabi, quem pecou, este ou seus pais, para que nascesse cego?”. Contudo, Jesus desfaz esse engano ao declarar: “Nem ele pecou nem seus pais; mas foi assim para que se manifestem nele as obras de Deus” (Jo. 9:1-3).
Jesus declarou, com toda clareza, que tanto os galileus vítimas de Pilatos como as dezoito pessoas que morreram no desabamento da torre de Siloé não eram mais pecadoras que os outros homens. Não podemos nos esquecer que por causa do pecado do primeiro homem, a terra foi amaldiçoada (Gn. 3:17), a criação ficou sujeita à vaidade. Mas ainda está por vir o dia em que a própria criação será libertada da servidão da corrupção e nós receberemos a redenção dos nossos corpos (Rm. 8:19-25). Haverá novos céus e nova terra nos quais habitará a justiça (I Pe. 3:13) e onde “não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor” (Ap. 21:4). Enquanto esse dia glorioso não chegar, a dor, o sofrimento e a morte serão realidades com as quais teremos que lidar, sem que isso esteja necessariamente associado um pecado específico.
3- Tragédias deveriam causar uma auto-avaliação.
Paulo nos lembra de que a auto-análise deve ser uma prática constante em nossas vidas: “Examinai-vos a vós mesmos, se permaneceis na fé; provai-vos a vós mesmos. Ou não sabeis quanto a vós mesmos, que Jesus Cristo está em vós? Se não é que já estais reprovados” (2 Co. 13:5). O ocorrido no Haiti, antes de nos levar a expressar opiniões sobre suas causas, deveria nos levar a pensar sobre nós mesmos, afinal: “se não vos arrependerdes, todos igualmente perecereis”.
4- O terremoto seria um juízo de Deus?
A Bíblia nos mostra que Deus traz juízo sobre indivíduos, cidades e nações. Negar isso é ignorar a Bíblia. Pedro nos lembra que Deus não poupou os anjos que caíram, não poupou o mundo antigo, destruindo-o por meio do dilúvio, e não poupou as cidades de Sodoma e Gomorra (II Pe. 2:1-9). Não podemos ignorar que Deus ainda pode trazer juízo. Contudo, só considerar essa possibilidade já deveria nos encher de temor. Temos que lembrar que para Deus a rebelião é como o pecado de feitiçaria, e a obstinação é como a idolatria (I Sm. 15:23). Aliás, a avareza também é idolatria (Cl. 3:5). Se o que aconteceu com o Haiti deve-se ao vodu, o que poderia acontecer à nações onde se promove a injustiça, a ganância e a opressão? É necessário lembrar que Sodoma não foi destruída apenas por causa de sua imoralidade sexual, mas seu pecado também foi: “soberba, fartura de pão, e abundância de ociosidade, ... mas nunca amparou o pobre e o necessitado” (Ez. 16:49).
5- Exercendo misericórdia.
É importante observar que logo após falar sobre as duas tragédias, Jesus conta a parábola da figueira estéril, e nos lembra que nós somos poupados na expectativa de darmos frutos (Lc. 13:6-8). Portanto, a tragédia do Haiti deveria nos conduzir a chorar com os que choram (Rm. 12:15) e nos lembrar das palavras de Paulo aos Gálatas: “Então, enquanto temos tempo, façamos bem a todos, mas principalmente aos domésticos da fé” (Gl. 6:10).
Anderson Paz
Igreja em Curitiba
www.andersonpaz.wordpress.com
Data: 01/03/2010.